Grandes mudanças no tempo

Sim, este país é grande. Grande o bastante para que, neste mesmo instante, a chuva que cai lá fora seja apenas um sonho para quem aqui não mora.

Temos frio de diferentes intensidades, vento de diferentes velocidades, calor seco ou úmido, forte ou suave, e para quem ainda não sabe, tudo ao mesmo tempo agora. Às vezes tudo não muito longe, e não tudo por pouco tempo.

Por muito tempo esse clima tão diferenciado esteve equilibrado, permitindo uma previsão especializada em qualquer esquina, em qualquer casa caiada. Mas, quem diria que um dia haveria tanta confusão no ar, na terra, na água e em todo lugar, que muito do que se sabia sobre o amanhã hoje não se sabe nada…

Pode ser que a chuva passe já, o frio dê um “olá”, se perca na surda madrugada e deixe o calor voltar, assim que o sol raiar. Ou então choverá a noite toda, até inundar o mês que já deveria encerrar as águas, para as folhas o vento daqui levar.

Enquanto isso no mundo todo se pergunta sobre o incêndio descontrolado que não se sacia e teima em queimar, sobre a calota que acorda escorregadia e se desfaz inundando o mar, sobre os terremotos, tsunamis, furacões e similares, que sacodem, engolem e arrasam ruas e lares, mansões e favelas, ninhos e cavernas, indústrias e pastos, orlas e matas, deixando marcas ou sumindo com elas. Vidas…

E como aliviar o Planeta que sente e naturalmente reage face aos limites perdidos nas mãos de certos filhos habitantes, que agem na própria Casa mais como descuidados errantes em terra de ninguém?

Para além de um país que tem tudo para ser mais que encantador, para além de um mundo que tem tudo para ser mais que dadivoso, é preciso antes reconhecer que isso só será possível ainda se fizermos parte de outra grande mudança. Não apenas ficar medindo o tamanho e a consequência do que já se mostra intangível e imprevisível, em alarmes que não socorrem. Sair da superfície, não para fugir da profundidade, mas para nela imergir, buscar respostas e soluções de verdade, sem medo de experimentar uma mudança de ares, de terras, de águas, que é realmente grande.

Nossa mudança deve ultrapassar o caos reinante para então encará-lo de frente e, face a face, transformar seu movimento desordenado em compasso restaurado.

Quando a mudança vem de dentro de nós, a força e a esperança retomam o seu lugar, também fora de nós.

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Eliza Rei

Eliza Rei

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Natural de Campinas/SP. Graduação em Ciências Sociais. Extensão em Economia do Trabalho. Servidora Federal. Fotógrafa amadora.

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