O valor da Madeira de Lei

Para os amantes da natureza, da arquitetura, dos detalhes, engenheiros florestais e todos que se interessam por alguma dessas áreas, aqui vai um texto massa para tirar dúvidas, e te mostrar a beleza das Madeiras de Lei.

Tais madeiras recebem essa denominação por todo um contexto histórico. Tudo começou com a exploração descontrolada de Pau-Brasil, que levou a extinção do mesmo nas matas costeiras, uma realidade que levou à criação da primeira lei que objetivava controlar o uso abusivo dos recursos florestais.

Seguindo um cronograma histórico, em 30 de janeiro de 1802, foi baixado o Alvará de Regimento das Minas e Estabelecimentos Metálicos, o qual exigia ordem escrita da Administração das Matas e Bosques para a venda de madeiras e lenhas por particulares, ou para se fazer queimadas. Em 1825 uma nova lei passou a exigir licenças para o corte do pau-brasil, de perobas e de tapinhoãs, principalmente para madeiras utilizadas na construção.

A Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, incumbia aos juízes de paz das províncias a fiscalização das matas e zelar pela interdição do corte das madeiras de construção em geral.

Finalmente, houve uma lei promulgada no império em 1845 a 1858 que proibia cortes de certas espécies sem consentimento do Estado, neste caso a Coroa Brasileira, e essas passaram a se chamar Madeira de Lei, as espécies florestais mais nobres do Brasil. Lembrando que esse nome não se tratava de um termo técnico, apenas denominação popular.

No contexto histórico, o termo “Madeira de Lei” refere-se às espécies associadas a legislação. Porém, pode-se expandir o significado dessa expressão.

Madeira de Lei se refere também a madeira boa, de alto valor no mercado, mas boa para que?! Sua qualidade e resistência, principalmente ao ataque de insetos e umidade, são empregadas em construção civil, naval, confecção de móveis de luxo, instrumentos musicais e artigos de decoração.

A portaria normativa IBDF 302/84 relaciona “Madeira de Lei” a espécies de valor comercial, as quais são utilizadas principalmente em indústrias, como as serrarias, as fabricas de móveis, de compensados e de laminados. Uma definição generalizada e incompleta que não caracteriza a qualidade da madeira.

Já no dicionário Aurélio, a expressão madeira de lei é sinônimo de madeira de construção, civil e naval, ou seja, “madeira dura ou rija, própria para construções e trabalhos expostos às intempéries”. Definição semelhante ao “Dicionário do Engenheiro”, 2ª edição, p. 403, que se refere à madeira de lei como sendo: madeira nobre, dura e resistente às intempéries, capaz de resistir ao ataque de insetos – cupins, brocas e fungos.

Antes da existência do “Dicionário do Engenheiro” não era adequado usar o termo “Madeira de Lei”, em documentos oficiais como contratos, licitações públicas, textos legislativos, memoriais descritivos ou termos de referências de obras de construção civil ou outros serviços onde se usasse madeira. Não era um termo técnico. Embora, se tendo uma definição técnica para a madeira de lei, é recomendável, especificar as madeiras pelos seus nomes mais conhecidos, acrescidos dos respectivos significados científicos de conformidade o fim a que se destinam.   

E aqui vai uma lista das Madeira de Lei mais conhecidas:

  • Cedro-rosa
  • Andiroba

  • Angelim-Vermelho

  • Angico
  • Araribá

  • Imbuia
  • Ipê
  • Ipê-Felpudo
  • Jacarandá

  • Jacarandá-da-bahia
  • Jacareúba, também conhecida como Guanandi
  • Jatobá
  • Mogno
  • Pau-Brasil
  • Pau-Ferro
  • Pau-Pereira
  • Peroba-Rosa

É importante salientar, que na compra de alguma dessas madeiras, é indispensável pedir a certificação da origem da madeira.  A certificação florestal deve garantir que a madeira utilizada em determinado produto é oriunda de um processo produtivo manejado de forma ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável, e no cumprimento de todas as leis vigentes.

 

 

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