Hydro protagoniza um novo caso Mariana

Nunca foram tomadas as medidas adequadas para o caso de Mariana-MG, cujo a empresa Multinacional Samarco foi a responsável pelo desastre, pouco foi feito. O processo ficou suspenso na Justiça por 4 meses. Só 1% das multas foi pago. As vítimas ainda não receberam suas novas casas. E os causadores da calamidade que devastou Bento Rodrigues, em Mariana, continuam rumo à impunidade.

E em menos de 3 anos temos outro caso de contaminação e degradação ambiental e social, desta vez no norte do País, no município de Barcarena- PA onde uma empresa norueguesa instalou uma indústria de extração de alumínio.

Há menos de um mês atrás 23 comunidades de Barcarena fecharam uma estrada principal da cidade protestando e denunciando a contaminação em suas áreas pelos rejeitos da indústria, a empresa então gerou uma nota onde afirmava que todos os procedimentos de tratamento e despejo de rejeitos estavam sendo feito seguindo as medidas mitigadoras já apresentadas inicialmente ao projeto, e nada foi feito, sumiu a notícia da mídia.

Nos dias 16 e 17, com a alta pluviosidade houve alagamentos na cidade de Barcarena e a água avermelhada vinda de vazamentos do setor, tomou conta da região e assustou a população, que denunciou aos órgãos o que estava acontecendo. A Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Semas) vistoriou a região e descartou vazamentos. No entanto, em uma nova vistoria feita por laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC), teve a contaminação comprovada que constatou a presença de soda cáustica, bauxita e chumbo na região, além de flagrar um duto clandestino usado pela mineradora para despejar rejeitos diretamente no rio próximo.

Os moradores das áreas atingidas pelo vazamento do rejeito de bauxita da mineradora Hydro foram ao posto reclamando de dores gastrointestinais e coceiras na pele.

Após a divulgação do laudo do IEC, a Hydro admitiu a existência do duto clandestino. Segundo relatos de especialistas, “população usa estas águas para recreação, consumo e captura de peixes", o que poderia levar a contaminação também para o solo e o organismo dos moradores.

Segundo os órgãos, há risco de rompimento da bacia, o que despertou temor por uma tragédia semelhante à de Mariana-MG, que em 2015, quando um mar de lama cobriu municípios e se espalhou pelo rio Doce até chegar ao oceano.

“Uma das bacias sequer tinha licença para operar. Estamos recomendando desde o fornecimento de água, uma vez que o Evandro Chagas constatou que essa água não é própria para o consumo”, afirmou a promotora de justiça agrária Eliane Moreira, em entrevista coletiva.

O geógrafo Luiz Jardim, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), disse que as barragens de Mariana e de Barcarena “têm naturezas distintas”, e o caso da Hydro pode ser mais perigoso, ele afirma: “Enquanto a da Samarco, em Mariana, era para lavagem de minério, a da Hydro, em Barcarena, é industrial, e guarda os resultados tóxicos da transformação da bauxita em alumina. Ela já pressupõe a existência de produtos químicos que fazem parte desta transformação, já que a limpeza dos minérios é feita antes, em Oriximiná.”

O Ibama multou em R$ 20 milhões a mineradora Hydro Alunorte e embargou nesta quarta-feira
(28/02) o Depósito de Rejeitos Sólidos n° 2 (DRS-2) e a tubulação de drenagem de efluentes da empresa em Barcarena, no nordeste do Pará.

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